PINGOS DE LAMA NA PELE III

Voltei à turbulência dos locais do despachatacomer. Na mesa ao lado, uma mulher atraente pela curiosidade que pode acender, embora não se saiba se depois continuará acesa. Digo isto porque o par que ela e o companheiro formam é pálido de tédio, parece triste e mortiço, olhos sem luz. Ele mais novo do que ela, parece-me. Fumam os dois. Fumamos os três. Ela de isqueiro caro e recatado. Ele a exibir o relógio e os anéis, vários, um de brasão, tudo na mão direita.
Engulo, tão depressa quanto possível, as batatas fritas de há três dias, o arroz ensopado de gordura e os lombinhos.
Pago e vou-me. Eles ficam como estiveram desde a chegada. Mudos. Não calados mas mudos. Minto: ele ditou a conta ao empregado de mesa e ela falou-me nos olhos antes de eu partir.