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APARAS DE ESCRITA: Julho 2004

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sexta-feira, julho 02, 2004

ADEUS, LEONEL

No passado dia 21 de Junho, pouco depois das 21 horas, faleceu de paragem cardíaca motivada por infecção pulmonar, no hospital São Lucas do Rio de Janeiro, um homem honesto, recto, vertical, leal, corajoso e coerente. Chamava-se Leonel Brizola e tinha 82 anos.
Nascido no povoado de Cruzinha, no Estado brasileiro de Rio Grande do Sul, numa família muito humilde de cinco irmãos, quando tinha um ano seu pai foi assassinado por motivos políticos. A mãe veio a casar com um vizinho, também viúvo, com seis filhos, e começou a ensinar as primeiras letras a todas essas crianças, por meio de um único livro que circulava de mão em mão.
Aos onze anos saiu da casa da família e trabalhou como jornaleiro, engraxador e carregador de malas numa estação de comboios.
Durante um ano viveu em casa de um pastor metodista e sua esposa, e deles recebeu uma instrução mais aprimorada, tendo sido aí que aprendeu a falar em público.
Aos catorze anos partiu para a capital do estado, porto Alegre, e, para sobreviver, trabalhou como ascensorista e jardineiro de praças públicas. Neste período terminou o liceu e entrou na universidade, para a Faculdade de Engenharia. Foi lá que descobriu a sua vocação para a política e a ela se dedicou de corpo e alma.
Em 1945 ingressou no PTB ? Partido Trabalhista Brasileiro ? para apoiar a política de Getúlio Vargas, presidente da República, que viria a suicidar-se na seqüência da ameaça de deposição feita por militares, predominantemente da Aeronáutica.
Ainda estudante universitário, é eleito deputado da Assembléia Constituinte de Rio Grande do Sul.
Figura controversa, mesmo hoje, Brizola afirmou-se como o principal líder brasileiro da esquerda no Parlamento. Foi governador do Estado de Rio Grande do Sul e duas vezes, único político a consegui-lo, até hoje, do Estado de Rio de Janeiro.
Aquando do golpe dos generais, em 1964, que instaurou uma ditadura militar que depôs o então presidente João Goulart, seu cunhado, organizou no Rio Grande do Sul, onde era governador, um movimento de resistência armada, mas, pouco depois, viu-se obrigado a submeter-se à evidência da força militar.
Exilou-se, então, por quinze anos, escolhendo o Uruguai como país de acolhimento, mas, em 1977, a ditadura forçou o governo daquele país a decretar a sua expulsão. Brizola pede asilo político à embaixada dos EUA, alegando perseguição pelo militarismo brasileiro. Apesar de ser considerado o principal inimigo político dos americanos na América do Sul, o presidente Carter concede-lhe abrigo, na qualidade de defensor dos direitos humanos. O seu fulgor político ressuscita e é considerado um dos principais líderes latino-americanos.
Para melhor desenvolver a sua actividade, transfere-se para Lisboa onde se aproxima, pela mão de Mário Soares, da Internacional Socialista e mediante a qual é recebido como estadista por vários governantes europeus (França, Suécia e Alemanha).
Em Julho de 1978 organiza em Lisboa um encontro de trabalhistas e socialistas brasileiros, alguns no exílio, com o propósito de fazer renascer o PTB.
É, entretanto, amnistiado e regressa ao Brasil em Setembro de 1979 onde procura reorganizar aquele partido, mas, pela batuta do ideólogo da ditadura, Golberry, o PTB fora subvertido e conotado com um órgão da situação, afecto ao patronato, controlado por banqueiros e submisso ao governo.
Brizola cria, então, o PDT, Partido Democrático Trabalhista que se desloca, posteriormente, para o socialismo democrático, inserido de pleno direito na Internacional Socialista, de que Brizola foi um activo vice-presidente.
Integrou uma das última campanhas presidenciais frustradas de Lula, como vice, e ajudou-o a ganhar a presidência em 2002. Porém, desiludido com a orientação política do governo, em particular no que respeita à reforma da Previdência, tornou-se num dos seus mais acérrimos opositores.
Na cidadezinha de São Borja, no Rio Grande do Sul, a 600 quilómetros da capital e perto da fronteira com a Argentina, foi sepultado ao lado da que fora sua mulher, Neuza, e do ex-presidente Getúlio Vargas.

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